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O casal
acordou naquela manhã, sentindo uma emoção diferente. Estavam completando
cinquenta anos de matrimônio.
Haviam envelhecido juntos. Inúmeras lembranças se somavam em suas mentes.
Os primeiros momentos do namoro, os primeiros anos de vida a dois, os
filhos, as dificuldades, os acertos e desacertos, os netos.
Os pensamentos surgiam-lhes na mente como uma avalanche e, dessa forma, tudo
parecia ter começado ontem.
Os dois se sentaram à mesa para o café. Ela tomou a fatia de pão e passou a
manteiga. Ia colocar no seu prato, quando resolveu diferente.
Durante cinquenta anos, todas as manhãs, dei a ele o miolo do pão, a parte
macia, mais gostosa. - Ela pensou.
Eu sempre quis comer a melhor parte. Mas porque amo meu marido, sempre dei a
ele o miolo do pão. Hoje vou satisfazer o meu desejo. Vou me dar um
presente.
Então, estendeu para o marido a casca do pão. Para sua surpresa, ele a
apanhou, sorriu e falou com entusiasmo:
Obrigado por este presente. Durante todos esses anos, sempre quis comer a
casca do pão. No entanto, como você gostava tanto, eu nunca tive coragem de
pedir a você.
Num primeiro momento, o que sobressai do episódio narrado é o grande amor
que unia aquele casal. Um amor que sempre soube abrir mão de algo que
gostava muito, em favor do outro.
Contudo, se examinarmos bem o fato, vamos descobrir que, embora o amor
recíproco que sentiam, o diálogo andava bem distante.
Imagine. Viver cinquenta anos ao lado de uma criatura, sofrer, penar,
alegrar-se, fazer tantas escolhas e, no entanto, não conversar das coisas
simples do cotidiano?
Dialogar significa conversar, trocar ideias. Falar e ouvir. Ouvir e falar.
Se você está vivendo a experiência matrimonial, pense quando foi a última
vez que vocês estabeleceram um diálogo franco e amigo.
Analise se, ao chegarem em casa, cada um tem se isolado em seu mutismo. Se,
eventualmente, não tem cada um assistido o seu programa de televisão
preferido, a sós.
Ou então se, enquanto um se distrai com a programação da televisão, o outro
mergulha na leitura interminável dos jornais.
A ausência de diálogo caracteriza desinteresse pelos problemas do outro e
gera a falta de intercâmbio de opiniões.
Antes que as dificuldades abram distâncias e os espinhos do cansaço e do
tédio produzam feridas, tomemos providências.
Abramos mutuamente o coração e reorganizemos a vida matrimonial.
Descubramos, mais uma vez, o gosto pelo diálogo. Interessemo-nos pelos
problemas e participemos das conquistas individuais.
Restabeleçamos a ponte do diálogo, a fim de que um possa penetrar em
profundidade no coração do outro, numa doce descoberta de dons, virtudes,
anseios e ideais.
O matrimônio é uma experiência de reequilíbrio das almas no orçamento
familiar.
O diálogo aberto e sincero fortifica os laços do afeto, permitindo o
amadurecimento das emoções e a correção das sensações.
Enfim, oportuniza que ambos somem esforços, não simplesmente olhando um para
o outro, mas olhando ambos para a mesma direção.
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Redação do Momento Espírita, com base no texto Amor em silêncio, de autoria
ignorada, e no cap. Responsabilidade no matrimônio, do livro S. O. S.
Família, por Espíritos diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed.
USE. Do site: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=3659&stat=0.
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