E eu sabia que cada palavra que eu sorvia era uma mentira, mascarada de azul e lilás. Assim mesmo a seguinte vinha vermelha, ardente, urgente e pungente.
Sabia que aquela alegria laranja estampada nos versos de ‘vai ser assim’ – daqui a pouco desbotariam, amarelado...roto, cinza...triste.
Eu sabia. Sabia mesmo que o azul anil brilhante e viril daqui a pouco faria transparecer um roxo sombrio e angustiante. Nada daquilo que eu ouvia, segurando o queixo e escancarando um sorriso, nada seria real, nem por dois segundos depois de pronunciados.
Talvez até o momento derradeiro de explodirem mundo a fora, fosse verdades, verdades não, fossem anseios, desejos...prenúncio do que seriam planos... Mas isso é besteira, e verdade absoluta é que nada daquilo é verdade.
Eu me permitia seguir anestesiada naquela loucura insana de crer infinita e piamente no que nunca seria real. Me permitiria aqueles dois segundo, beberia as palavras mesmo sabendo que depois só me restaria o sabor amargo, e mesmo assim seguiria com uma sede insana das mentiras...
Isso é tudo, mas esse tudo me convertia no que eu queria, no que eu pensava, no que eu almejava... Isso só se concretizava assim, então queria mesmo respirar por dois segundo e ficar sem fôlego até que voltasses novamente...
e dois segundos depois tudo viraria cinza...


