Da mesma maneira que ele toca. O cara é conhecido por tocar o baixo o mais próximo do chão. Isso mesmo... A maneira que ele toca nos remete a uma revolta contra o modelo, figurativamente, correto. Remete a vontade de ser contrário ao comum. De certa forma, ser marcante, incisivo, decidido.
Vale ressaltar, cá entre nós, que minha habilidade de “músico” nunca ultrapassou algumas músicas do Legião Urbana, Paralamas, Titãs que eu tocava num violão surrado nos tempos vagos das aulas no ensino médio. Só prá impressionar as meninas talvez... rs... Era legal... A gente se divertia.
Além disso, confesso que, só fui conhecer Joy Division pouco depois do suicídio do Ian Curtis, vocalista da banda. Isso, pelos idos de 83, 84 (mal sabia nosso incalto escritor que os rumos de sua vida - me corrija se eu estiver errada - estariam sendo reescritos exatamente neste ano 84!). O cara se suicidou em Maio de 1980.
Ainda lembro-me de um colega da rua em que eu morava me mostrando o disco, era um compacto, O pai dele era da Marinha e vivia viajando. Numa dessas viagens, o cara volta com o disco dessa banda.
A música era sucesso nas festinhas. Porém, o dono do disco e o amigo, nem tanto. Mas, algumas poucas vezes, rendiam uns bons papos e, mais raro ainda, um cinema dias depois... Rsrsrs...
Mas, voltando, hoje eu acordei com essa vontade maluca de ser o Peter Hook tocando essa música num show.
A forma que ele tira o som grave do baixo e, ao mesmo tempo, toma conta do som se colocando à frente dos acordes da guitarra, ditando o caminho da harmonia da música. Sem falar no seu comportamento no palco. Para ele e seu baixo, não existe lugar definido ou, categoricamente, determinado. O cara passeia pelo palco arrancando os graves do baixo e atirando ao público.
Acredito que essa vontade se manifestou pelo desejo de querer gritar contra alguns fantasmas que insistem em nos assombrar. Pode ser na relação com a pessoa que amamos, no trabalho, na rua quando presenciamos um absurdo qualquer.
Na verdade, hoje, eu acordei com vontade de brigar por aquilo que acredito, por aquilo que tenho certeza que representa a minha paz de espírito, minha felicidade.
Chega de me importar com o que as pessoas pensam, falam ou, até mesmo, agem para simplesmente interferir na nossa busca pela felicidade.
Eu quero mesmo é ser o Peter Hook e tocar meu baixo com raiva, vontade e ensurdecer qualquer um que não acredita no amor verdadeiro.
Apesar de gostar muito da música, definitivamente, não acredito no título e nem no contexto, pois, já presenciei muitos beijos ao som do baixo do Peter Hook nessa música.
Por - Joker







